quarta-feira, 25 de julho de 2012

A Festa do Daniels Bar – 12 de julho de 2012


Foi mais ou menos assim: Criaram uma comunidade chamada Documentário Daniels Bar e de repente toda uma galera que não via há anos estava lá trocando lembranças, postando fotos e histórias sobre um bar que foi o berçário criativo e ponto de encontro de toda uma geração de artistas e de pessoas interessadas em cultura. (ver aqui o texto que escrevi sobre o bar para entender melhor)

Se não me engano numa conversa com Jamaica, Stela Guedes e Ronaldo Paz veio a idéia de um reencontro físico desta turma. Sugerimos o antigo espaço onde fucionava o bar, mas o poeta Allima foi lá pessoalmente e constatou que agora funcionava uma boate de strip e sugeriu que fizessemos este encontro no Bar Estação Floresta do amigo Flavinho que prontamente se prontificou a ceder toda a infraestrutura luxuosa do bar.

Para escolher a data nada melhor do que um argumento forte. Este argumento quem deu foi o ator Marcos Serra que sugeriu uma quinta-feira véspera de seu aniversário. E como num passe de mágica tudo estava encaminhado e sacramentado.

A Dalvanéria criou o evento e começou a divulgação.

Uma ansiedade por esta data começou a rolar por todos que por ali postavam suas aventuras. Ressuscitados apareciam para confirmar presença, de longe amigos faziam esforços para poderem estar presentes na data marcada e no dia 12 de julho de 2012, rolou a grande festa.
Rever aquela trupe foi algo que dificilmente conseguirei descrever em linhas só com palavras. Foi poesia pura. Foi o revival de uma época em que sonhos se construiram onde a liberdade era total e por mais que naquela época fossemos - na maioria – duros (lisos, sem grana), viviamos intensamente.

Alguns momentos me marcaram indelevelmente, como rever a Eva Morenna, ver o Gabriel (filho de Fernanda Morais e Wanderley Santos) substituindo o pai maravilhosamente ao lado da mãe e do tio Beto Rocha (Grupo Elemento) cantando entre outras músicas “Barcaça”, o poeta Jr. Júnior declamando “Sexo em Moscou” de Mano Melo emocionado como nunca e levando a galera ao delírio, Daniel Guerra puxando o hino do bar “Viajando” e ver todos cantando juntos, Robson Luy revivendo o Karaokê Showcante, Bia e Marília (filhas nossas) dublando e inaugurando a nova geração...

E teve mais, muito mais... Teve Negretti, Cassia Cabral, Nelson Freitas, As Meires, Cris Amaral, Tuninho, Eliane de Austin, Eud Pestana, Moduan Matus, Roberto Lara, as “Tinocos” e herdeiro, André Luz com sua gaita mágica, Laranja e seu macacão – marca registrada – de 20 anos atrás e ainda com a mesma cara de menino.

Se fosse escrever tudo...

Muitos não puderam ir e já pensamos num segundo encontro, por hora para registro, deixo aqui alguns comentários emocionados que algumas iluminadas pessoas deixaram no grupo:

Por Stela Guedes
Muitos de nós ansiavam nosso reencontro, eu era uma. Nasci em Nilópolis e sempre amei a Baixada. Sempre quis escever. Quando era pequena enrolava uma folha de papel que, depois de desenrolada se armava em espécie de maquininha de escrever. Eu desenhava teclas e ficava tlec, tlec, tlec o dia inteiro. O lápis na boca era um cigarro porque eu achava que todo mundo que escreve fuma. Nunca fumei, mas virei jornalista para "mudar o mundo". Antes de conseguir meu primeiro emprego no Jornal de Hoje, ainda na faculdade, fundei o Baixada Notícias (o Baixadinha como todo mundo chamava) e foi aí que comecei a conhecer o bar e todo o mundo do bar. Eu tinha 25 anos, dois filhos e recém separada. Eu queria falar da dureza, das dificuldades e das alegrias, belezas e sonhos, tudo junto. O "Baixadinha" durou até o Globo lançar o Globo Baixada. Nossos anunciantes nos deixaram. Eu já estava no "O Dia" e continuei fazendo a mesma coisa. Ontem, uma pessoa muito querida, me disse "eu não lembro de você no Daniel". Não faz mal. Acho que isso tinha muito a ver com o fato de eu sempre estar atrás da máquina fotográfica e de, nas madrugadas, mais fechar matérias e jornal do que qualquer coisa. Acho que escrevi sobre todos os grupos de cultura, enquanto denunciava grupos de extermínio e chacinas. Eu não sabia dançar, cantar, nem recitar poesia. Mas achava que o meu ofício era escrever. Era a nossa vida que eu narrava, não a de ninguém estranho, a nossa. Eu não sabia trocar filme de máquina fotográfica, mas saía fotografando. Encontrava o Walter Filé nas atividades, pedia pra ele trocar o filme e aprendi muito sobre fotografia com ele. Aprendi o que precisava naquele tempo para fazer o que eu mais desejava. Não sou daquelas que diz que "a melhor época é a que se vive hoje".

Eu sou nostálgica sim. Mas invento um motivo: a época em que alimentamos os sonhos é a melhor época da vida. Aquela foi a minha época mais querida. Porque escrevia e alimentava, escrevia e alimentava. Falando do que se lembra e do que não se lembra. Eu adoro ser chamada de Stelinha. Mas o Daniel Guerra sempre me chamou de "Sterzinha", desde aqueles tempos. Ele nunca disse como todo mundo "Stelinha". Quando ele falou ao microfone "Sterzinha" foi a primeira vez que chorei no nosso reencontro. A segunda foi quando eu falava ao Nelsinho "Puxa, faltou o Trio Hora H". E Nelsinho disse: "Porra tua amava eles, não perdia um show". É verdade, eu amava e não perdia. Mas o que me emocionou foi o Nelsinho lembrar disso. As outras vezes foram, claro, ver filho de gente amada espalhado por ali, impregnados de poesia e música.

Tudo o que escrevi, de ruim e de bom, vinha, eu sentia, quando era crianças, mas começou a tomar cara de gente mesmo, ali, nas mesas do Daniel, nos bloquinhos dos jornais em que trabalhava e nos guardanapos. Eu comecei sendo ali. E tenho tanto amor a isso que não dou conta.

Os famintos, como somos, devoramos o que vemos e já querendo mais. Faltou muita gente, muitos abraços guardados.

Estranho é ódio, ruim é ódio, esquisito é ódio. Que beleza é poder dizer: amo todos vocês!

Por André Jamaica
Ontem comentava com a Stela Guedes que estava muito feliz porque numa conversa dentro do grupo formado nesta rede social manifestamos o desejo de nos reencontrarmos, eu, ela, Cézar Ray Oliveira e Ronaldo Paz. Tudo deu-se de maneira quase furtiva. Anderson Leite Lima viabilizou o espaço, Dalvanéria Santos se empolgou e deu força, Daniel Guerra já estava na pilha do documentário, Marcos Serra Nulo oportunamnete sugeriu a data e de repente estávamos ali, tudo real, tudo de fato e de direito, tudo de verdade. Emocionei-me em vários momentos. Cantar o Reggae do Zé Pereira era algo que não fazia praticamente desde o fim do bar . Fechei os olhos e me senti entrando num túnel do tempo. As lágrimas de Eva Morenna me fizeram mais uma vez acreditar que tudo, tudo o que vivemos valeu a pena! Como se tudo o que eu vivesse naquele bar só fizesse sentido depois daquelas lágrimas. E a minha maneira, chorei com descrição. Ver o Gabriel, filho de Fernanda Morais, cantando com ela e Beto Rocha é o que chamo de legado, de herança, de continuidade. Ouvir as poesias do Desmaio Públiko, as músicas que foram a trilha sonora dos nossos sonhos de uma sociedade libertária, justa e feliz recarregaram minhas energias para muitos anos mais. Choro agora, escrevendo essas palavras, Um choro libertário, justo e feliz! Tal qual nossos sonhos! Não consigo parar de chorar, não consigo mais escrever...

Por Alex Freitas
Depois de tanta emoção veio o silêncio, qualquer indagação seria mera redundância a alegria extasiante foi profunda demais. A alma daquele instante foi aprisionada, e ganhou a liberdade naquele momento, viajou milhares de km no tempo caindo assim naquele instante. No fundo da minha inspiração, e no trajeto do meu interior estará pra sempre registrado e devidamente guardado na biblioteca do meu acervo. Me perdoe minha individualidade é que eu vejo tudo como todo, meu intocavel e indivisível nessas historia vocês me pertecem como se fossem personagem da minha história. Agradecido!

Por Eva Morenna
Eu ficava o tempo todo repetindo a mesma coisa: "É muita emoção para uma noite só!!!!!". No retorno pra casa, eu só pensava em uma música: “Emoções”. Sei que a mesma já foi usada diversas vezes na mídia pra demonstrar emoções. Mas não teve jeito, ela não saiu da minha cabeça. E é exatamente isso que estou sentindo!

Faltaram os lindos textos de Rogéria Freitas, Hugudão Guimarães, Cris Amaral entre outros mas você pode encontrar tudo e muito mais (muito mais fotos e histórias) aqui:

6 comentários:

André Gonçalves disse...

Não se esquecer do que somos!

Este seu conselho que recebi nesta noite de 12 de julho 2012 sem duvida, reflete também toda nossa história individual e coletiva, o movimento que o Daniel ganhou no nome foi parte de nosso alicerce intelectual.

Parabéns pelo Blog lindo e cheiroso, obrigado por estar aqui nos dando nosso próprio reflexo para nos admirarmos.

Zaray disse...

Valeu Dedé, emocionado!!!

Palavras Versadas disse...

Tem um velho ditado que diz: "Me digas com quem andas que te direi quem és"
E felizmente, minha vida foi pautada, boa parte, por pessoas maravilhosas que frequentavam o extinto bar, que exalavam o mais perfeito dos perfumes, à diversidade de artes.

Frequentar o Bar do Daniel's, aos 16 anos de idade, fez formar uma concepção de vida, uma consciência política, artística e filosófica.

Lá, vi surgir grandes músicos, assisti algumas peças teatrais, vi nascer um movimento poético lindo, que até hoje é referencia na Cidade.

Os personagens daquele bar, circulam como entidades espirituais, possuem magnetismo, transformaram toda uma geração, e continuam transformando até os dias atuais. Como o caso do Cine Buraco do Getúlio.

Hoje, aos 36 anos, me vejo enveredando pela magia da poesia, confesso, estou aprendendo a percebê-la diariamente, da forma como meu grande ídolo Cézar Ray me ensinou.

Tento por vezes agitar a cultura do Município, convido pessoas, dou dicas de eventos e participo até de papos filosóficos em mesas de bares. E olha que nem li tanto assim, mas é impressionante como aprendo com essa galera.

Não haveria curso superior que me fizesse sentir, aprender estas coisas.

Penso que, o Bar acabou há mais ou menos 20 anos...Mas até hoje o espírito lá inaugurado circula pelas ruas, VIVO, intenso.

Só me resta agradecer a todos, que me ensinaram, que me deixaram participar, e que até hoje, incentivam as mais belas artes.

Um salve aos músicos, aos Atores, aos pintores, aos poetas, aos admiradores, aos frequentadores, aos entusiastas.

Um viva ao DESMAIO PÚBLIKO, e toda sua escola, ao CACO DE VIDRO, E TANTOS OUTROS MOVIMENTOS.

Esperamos pelo próximo reencontro, e que ele não tarde.

Parabéns pela 19º edição do Zarayland, Cézar Ray. Fez com que muitos retornassem a magnífica noite do dia 12/07.

Sinceros e Fraternos abraços

Allima

Zaray disse...

Allima, esta declaração sua tinha que tá la no Grupo Documentário Daniels Bar. É uma honra tê-la aqui!! Valeu!

Arte e Cultura Popular disse...

Simplismente vida simplismente felicidade sinpliosmente tudo ao mesmo tempo tudo o espaço louco feio fedido comida ruim serviço péssimo era assim que eu ouvia uma porrada de gente definir o espaço...Eu passarinho eles passarão.

Arte e Cultura Popular disse...

NO comentário passado eu cometi um erro eu usei uma parte da poesia de quintana e me perdoe a intimidade.