domingo, 12 de fevereiro de 2012

Meu Povo: Angela Moura

Dia 02 de fevereiro fez dez anos de uma das melhores festas que já fui. Os cinqüenta anos de Angela Moura na Ilha Grande. Ela planejou tudo com antecedência e proporcionou aos convidados e aos penetras uma festa que entrou para as lendas da Ilha. A festa aconteceu na Praia da Crena, perto da Vila do Abraão, porém de difícil acesso a noite. E mesmo assim lotou. Do barco que fui consegui ver as luzes de várias lanternas no meio da mata das pessoas indo pela trilha. Chegando lá a praia estava toda decorada com lanternas que enfeitavam todo o ambiente. Tendas com comidas e bebidas. Palco para a banda de Zé Pereira, esteiras espalhadas na areia, fogueira e um clima que nem em filmes de luau havaiano eu vi. Inesquecível!

Com ela era assim, ou calça de veludo ou bunda de fora.

Conheci Angela por conta de meu trabalho. Havia desfeito uma sociedade e precisava urgente de clientes para poder pagar as minhas contas. Fui apresentado a ela e ao seu sócio Bartolomeu - pelo Marinaldo Imperiano - que negociaram meu fee mensal. Para bater o martelo eu proclamei: “Ok, fecho em X mas quero uma cervejada toda sexta!” (era abusado) e a Angela disse: “Feito!”. Na sexta seguinte estava em casa trabalhando em seus produtos quando o telefone tocou. Era ela: “Cadê você? Tenho um acordo contigo de pagar sua cervejada, venha para cá. Estou no Abracadabra!” E eu pensando que ela iria me cobrar o serviço.

Essas cervejadas nem sempre se detinham as sextas, muitas vezes, mas muitas vezes mesmo eram as segundas. Angela chegava como dizia: “Virada pro cão!”. Ela passava o fim de semana com a família em sua granja e quando chegava segunda-feira, queria beber. E nós todos de ressaca, estragados pelo fim de semana. E ela não convidava. Convocava. Eu, Marinaldo Imperiano, Eveline Tomasco e Zézinho (José Alberto Eiterer) para abrir a semana com muito chope.

Angela (pernambucana) morava no Rio há anos. Em Santa Teresa. Mas nunca quis perder o sotaque, aliás, fazia questão de não perdê-lo. Dizia que era sua herança cultural mais genuína. Arretada! Quando entrou no SERPRO e todo mundo ria de seu sotaque, ela resistiu e forçou ainda mais o pernambuquês, fato que a fez ganhar o apelido irônico de “Gaúcha”.

Quando gostava de alguém tudo era perdoado. Porém quando não gostava, qualquer besteirinha virava uma tempestade. Mas perdoava as pessoas com benevolência cristã e adotava outras com um amor maternal.

Aliás a empresa nesta época era uma ginecocracia, conduzida por uma mulher forte de atitudes as vezes duras, porém amiga e confiável. Festeira, Angela não deixava passar uma data em branco. A sua preferida era o São João onde contratava bandas de forró e mandava fazer todos os pratos típicos daqui de Pernambuco. Teve uma vez em que a empresa estava atravessando uma crise financeira e todos estavam tristes, pois não teria a festa junina. E Angela se abateu? Disse: “Vocês querem a festa, pois eu vou dar a cerveja e cada um vai trazer um prato de comida!”. Foi uma das festas mais fartas que já aconteceram.

Angela havia se apaixonado pela Ilha Grande e comprado uma casa na Vila do Abraão. Sempre estava por lá. Quase como uma nativa. Sua festa foi organizada pelos “cachaças” locais que a adoravam. Lembro que os donos de algumas pousadas chegaram a anunciar o aniversário dela como um “Luau Cortesia de Boas Vindas” aos seus hóspedes. Aí, alguns turistas arrogantes - que estavam lá de penetra, mas Angela nem ligava - começaram a cobrar um serviço melhor, coisa e tal. Angela ficou sabendo e mandou suspender a bebida para eles e mais, quando chegaram os artesões de rua (que todos chamavam de “Micróbios”) e lhe deram um brinquinho como lembrança ela mandou servi-los como reis. Assim era Angela.

Uma doença misteriosa atacou seu cérebro em meados de 2005 levando-a no primeiro dia de 2006. Minha grande amiga, minha fada-madrinha se foi, deixando um vazio imenso para todos nós. Foi “very bueno” ter compartilhado de tantos momentos bons ao seu lado. Very bueno!!!

5 comentários:

Denise disse...

Bom, eu não fazia parte das pessoas que ela amava, mas também não fazia das pessoas que ela odiava e foi assim que eu fui ficando na Hair Fly. Lembro que eu e Kelly nunca íamos às suas festas na Ilha Grande, mas adorávamos ficar sozinhas quando todos iam.

Flor Baez disse...

Doces lembranças! A Ilha é mágica e uma festa dessa, histórica!
Lindas recordações deixam a vida!
Adoro teu Zarayland! Me deixa mais perto de você!

Zaray disse...

Obrigado Flor! A intenção é esta mesmo, me deixar mais perto de pessoas que amo, como você!

Kelly Alessandra disse...

se adoravamos !!! como era bom!!!Dona Angela sempre foi uma boa patroa, deixou muitas saudades!!!
mas como tudo na vida é passageiro, só nos restam lembranças!!!! muitas lembranças de uma pessoas arretada, mas com um bom coração!!!

Alcides Eloy Rédua disse...

Lembro dela do Raizes, uma pessoa prá cima, alto astral... deixou saudades!!!