domingo, 19 de junho de 2011

Meu Povo - Jr Blue & Alcides Eloy

Falar dos poetas JR Blue e Alcides Eloy é meio que contar minha historia. Fomos criados no mesmo bairro. Aliás, o “Bairro” é um aglutinado de bairros ali perto da Dutra. Entre o Jardim Tropical e o Posto 13. Jardim Ulisses, Margaridas, Monte Líbano formavam este pequeno país onde éramos reis e súditos. Minha rua – por exemplo – era a síntese desta geografia. De um lado da rua (no meu trecho) era Jardim Ulisses, do outro lado, já era Margaridas, passando o valão era o Monte Líbano e passando da curva da padaria já era sei lá...Posto 13, Manhoso...

Ali connheci Blue. Na época Fernandinho. Lobinho (escoteiro) óclinho na cara, irmão de Janete, Shirley e Verônica e Hugo. Coincidentemente eu também tenho 3 irmãs. Angela, Cláudia e Luciana só não tive irmão. Mas não foi isso que nos aproximou, e sim a Igreja Católica onde freqüentávamos o catecismo.

Eloy nesta época, mais velho e evangélico, não fazia parte de nossa história.

Fizemos Primeira Comunhão juntos e depois cada um tomou seu rumo. Tínhamos só 8 anos, sei lá, e só voltamos a nos encontrar aos 19, 20 anos. E foi aí que nos conhecemos de verdade.

Lembro-me de ter uns 14 anos e dançava numa quadrilha junina da Rua Bento Lima e enquanto dançava reparei na tatuagem de um cara que bebia e assistia nossa performance: era Alcides Eloy, seis ou sete anos mais velho que eu, já era um adulto e eu um moleque. Mas também só fui conhecê-lo de verdade anos mais tarde quando reencontrei Blue.

Estava na Casa de Cultura com Moduan Matus assitindo a um filme e chegaram os dois encharcados por uma torrencial chuva que caía. Ali começamos a falar sobre poesia, música, mulheres entre outros assuntos que se estenderam durante a noite.

Viramos um trio que não se desgrudava. Formamos o Grupo de Poetas Decúbito Dorsal, declamávamos poemas em todos os cantos que nos chamavam. Centro Cultural Donana, Teatro do DCE da UFF, Centro Cultural Guerreiros Unidos, Beer Beatles Bar, foram alguns dos lugares que me lembro. Fazíamos performances e piadas para nós mesmos. Passávamos tardes bebendo, ouvindo Pink Floyd e fazendo planos.

Viajamos para Visconde de Mauá e dividimos a mesma barraca e a mesma lata de salsicha. Mas esta é uma história que um dia ainda conto todinha aqui. Foram tantas histórias que vivemos juntos que o espaço é curto para serem contadas de uma só vez.

Somos amigos até hoje a pesar da distância. Eu morando aqui em Recife, Blue em Nova Iguaçu e Alcides Eloy em Cabo Frio. A poesia sempre nos regeu e o amor guiou nossos passos. Tenho orgulho em ser irmão desses dois poetas! Titirititiu!

BOA VIAGEM ao meu brother

Quando o Poeta
Parte para longe
Ficamos todos meio tontos

Como se fosse
Um furacão passando
e a gente rodopiando
Rodopiando...

Jr Blue

*

Sou um pinheiro
Solitário
No alto de uma colina
A espera
Da tempestade
Que se aproxima.

Alcides Eloy


7 comentários:

Vanessa Rodrigues disse...

Emocionou!

Denise disse...

Ei Cézar...Tantas histórias que você conta das aventuras de vocês que daria pra virar outra coluna...RSRSSRRS

Denise disse...

Às vezes sinto inveja de quem nasceu e foi criado no mesmo bairro ou cidade e que ainda encontra com os amigos de infância... Às vezes.

Jr júnior disse...

Brow, vê se escreve aquela nossa viagem a Paraty...que tá começando a sumir da memória ! rsrs a sua continua tinindo, não sei como !
Tá lindo o blog. VIDA ETERNA A ZARAYLAND !!!
ahhh.. fiquei emocionado !!
bjs,
The blue !

Palavras confusas disse...

Ta muito bom isso aqui deviam servir algo enquanto se degusta sua memória!

Palavras confusas disse...

Ta muito bom isso aqui deviam servir algo enquanto se degusta sua memória!

BLOGG DO SYLVIO NETO disse...

Embora Por Vezes Infinitas Eu Me Debruce Sobre Os Poucos Zines Que Tenho Do Desmaio, Sobre Os Livros Que Tenho de Moduan, Sil, Marlos, Jorge, Liriam...E Tal...Jamais Vou Esgotar A Poesia Vibrante E Ainda Cheia De Vigor...Dos Muitos Poetas...De Nova...Mas Este Poema Do Alcides Me Fode A Alma geral...Ele É lindissimo E Muito Foda...Aquela Madrugada/Manhã...Que Ficamos Em Sua Casa de Vila...Lendo Contos e Contando Histórias...Foi A Primeira Vez Q Alcides Declarou/Falou Este Poema...Ele É Foda...Estou Assim Agora...Só...Sahí...Fui Ao Barriga...Bebí Uma Antartica...Só...Um Fogo com onhaque...Só...E Voltei a Casa...Para Estar novamente Só...Quisera Fosse Um Pinheiro De força E Beleza...Mas Soul Só Um Zébedeu!!!!!!
sn