domingo, 19 de junho de 2011

O Bar do Seu Antônio

Foi assim. A pizzaria Abracadabra em Nova Iguaçu estava lotada. Fomos para o Jeitão da Baiana, mas estava cheio também. Era fim de ano. A rua lotada. Entre os dois bares boêmios, uma lanchonete chamada Cantinho da Gegê. Vazia. Um senhor com cara de poucos amigos no balcão espantava os mosquitos.

Mas o que importava isso para sedentos como nós? Nós? Eu, Marinaldo Imperiano e Ana Oliveira, que queríamos mais era cerveja gelada e ver o movimento da Rua Floresta Miranda. Pedimos ao senhor (Seu Antônio) uma cerveja, que ao contrário dos outros bares, por estar vazio, estava geladíssima! Pedimos um petisco, meia porção de filé com fritas. Meu irmão, que meia porção era aquela? Era imensa!!

Começamos a frequentar lá todos os dias. Acontece uma coisa curiosa com nossos amigos. Podemos nunca ir a um bar, mas se tem um de nós lá dentro bebendo, vamos parando. E chega um e chega outro e adotamos o bar para a gente. E foi isso que aconteceu com o Cantinho da Gegê, que logo passou a ser conhecido – só - como Seu Antônio.

Ao contrário do que parecia, o português de sotaque carregado, Seu Antônio era uma simpatia de pessoa. Ele e Dona Sônia, sua esposa e seu filho Luiz Vascaíno sempre foram muito receptivos aos novos frequentadores, que de uma hora para outra, lotaram a pequena lanchonete.

A macarronada do bar ficou famosa e virou prato da matilha esfomeada. O bolo de cenoura com chocolate, a gente comprava no final da noite a um precinho simbólico e levava para o café da manhã do dia que já quase chegava. Nas vitrines do balcão, docinhos, tortas, pudins, afinal era uma lanchonete que acabou virando um dos bares mais badalados da cidade.

Seu Antônio era de uma franqueza que conquistava todos nós. Lembro-me de uma vez que fiquei uns quinze dias sem aparecer por lá. Quando cheguei, ele veio todo simpático dizendo: “Cézar Ray, você está sumido!!” e eu: “Estava viajando, Seu Antônio. Estava com saudades de mim?” no que ele sem pestanejar mandou: “E eu lá sinto saudades de homem? Eu estava com saudade do seu dinheiro”. Gênio!

O bar fez tanto sucesso, e o ponto ficou tão atraente que Seu Antônio começou a receber propostas de empresários do ramo para vendê-lo. E por mais que torcêssemos por um bom negócio para ele, ficaríamos muito tristes se isso acontecesse. Mas aconteceu. Menos mal. Seu Antônio vendeu o bar para um amigo nosso, Flavinho, músico e entusiasta das artes que mantém o bar até hoje. Com o nome de Estação Floresta. Reformado, com área para shows, grade na varandinha. Som de primeira.

Mas cá entre nós sinto falta daquela lanchonete onde entrava para beijar a cabeça de Seu Antônio que me colocava para correr. Daquelas mesinhas no meio da rua. Em ajudá-lo a guardar as mesas e cadeiras na hora de fechar. E muita, muita saudade do Seu Antônio e de Dona Sônia. Muitas saudade mesmo!

9 comentários:

Vanessa Rodrigues disse...

Acho que o Zarayland vai virar livro..

Espero!

Denise disse...

Haaa faltou falar daquele garçom que era engraçado por ser mal educado e que uma vez disse pra um amigo seu "Se não beber da o lugar pra quem bebe"...Brincadeira, tá massa o texto!
Bjs

Beluska disse...

Donos de bar, garçons... Esse pessoal que compõe o cenário boêmio dá grandes histórias...

Tenho muitas histórias de bar também.
Como disse Leminski

˜Beber em Curitiba não é vício, é legítima defesa.˜

Então...

saudades das épocas em que eu bebia e não sofria depois.


Meu corpitcho desacostumou...

Fases..

Beluska disse...

Ah.. e acho que a Denise podia tentar escrever junto com César, ela lembra de detalhes importantes!!

Acho chique texto a quatro mãos.

Flor Baez disse...

Nossa! Que legal!
Era realmente muito bacana ir para o Seu Antônio!

E quando não tinha grana para comer um macarrão, eu ganhava a rapinha da panela!!!! Delicia!

Seus textos estão maravilhos, Cezar!
Saudades!
Bjs

Palavras confusas disse...

Seu Antonio, saudade!

Totonho Monnerat disse...

Quero agradecer e parabenizar o grande Cezar Ray pela lembrança. Falo aqui em meu nome e em nome de meus pais, Seu Antonio e Dona Sonia. Recebi essa lembrança com muita satisfação, o Cantinho da Gege serviu para conhecermos pessoas maravilhosas que guardamos com muito afeto e carinho em nossos corações. É muito gratificante andar pelas ruas de Nova Iguaçu e ser reconhecido como Luiz Vascaino, como filho do Seu Antonio ou como filho da Dona Sonia. Sintimos saudades da época do bar principalmente por ter tido como clientes e amigos pessoas como você e sua "turma". Já salvei este blog em meus favoritos e sempre estarei em contato para atualizar as novidades. Falando em novidades ... Vasco Campeão da Copa do Brasil. Grande abraço a todos do fundo do coração do Seu Antonio, da Dona Sonia e meu, Luiz Vascaino.

Totonho Monnerat disse...

Voltei só para corrigir, onde está "sintimos" lê-se sentimos. Grande abraço.

BLOGG DO SYLVIO NETO disse...

Aquela Pizza...Cheirosíssima...